É muito comum deixarmos a alimentação em último lugar na nossa lista de prioridades. Mas, é por meio da nutrição do nosso organismo que conseguimos nos manter saudáveis e, assim, ter melhor qualidade de vida.

Neste contexto, os probióticos são bastante recomendados. Apesar de há poucas décadas não serem muito conhecidos, com o avanço da ciência já se sabe como esses alimentos e suplementos podem ajudar na manutenção da saúde intestinal e, como resultado, de todo o corpo.

Sendo assim, conheça mais sobre os probióticos e entenda para que servem e como usá-los.

O que são probióticos?

Muitas pessoas confundem probióticos e prebióticos. E a diferença é bastante simples, depois que você entende.

Probióticos

Os probióticos são microorganismos vivos (Lactobacillus e/ou Bifidobacterium)benéficos à saúde. Ou seja, eles favorecem a proliferação de bactérias boas que já vivem em nosso organismo. Ao mesmo tempo, aquelas que poderiam levar a doenças são reduzidas.

Esse mecanismo acontece por causa da competição pelos nutrientes e receptores celulares que é promovida entre os microorganismos bons e ruins. Assim, quando tomamos probióticos, irão existir mais bactérias boas do que ruins.

É só imaginar uma guerra. Se o lado inimigo tem 100 soldados e o outro tem 500, a probabilidade do que tem maior número vencer é maior, não é mesmo? É mais ou menos isso que acontece.

Quando a flora intestinal está em desequilíbrio, o que acontece após o uso de antibióticos ou quando não se tem uma alimentação saudável e equilibrada, o intestino acaba sendo povoado por bactérias ruins, prejudicando a saúde. Mas, ao tomar um probiótico, os microrganismos bons começam a ganhar força, equilibrando novamente a microflora intestinal.

Prebióticos

Enquanto os probióticos são bactérias saudáveis que povoam o intestino, os prebióticos são o alimento que vai aumentar a sobrevivência e proliferação destas bactérias. Geralmente são fibras e alguns alimentos são considerados como prebióticos, como por exemplo a aveia, cebola, alho, banana verde e biomassa de banana verde.

Para que servem?

O nosso intestino é uma colônia de microrganismos que influenciam todo o organismo. O humor, apetite, sistema imunológico e até mesmo as funções cerebrais são afetadas pelo equilíbrio da microbiota intestinal.

Isso significa que se algo atrapalha o crescimento e a atuação desses microrganismos, o corpo irá sofrer consequências. Do contrário, se existir algo que possa beneficiá-los, certamente o organismo irá obter melhorias.

Desse modo, os principais benefícios dos probióticos incluem:

Ajudar a digerir a lactose

Provavelmente essa é uma das utilizações mais antigas dos probióticos, pois desde há muito se sabe que o iogurte é mais bem tolerado que o leite pelos indivíduos intolerantes à lactose.

Pesquisas mostram que essa melhor tolerância ocorre porque as bactérias presentes utilizam a lactose como substrato para produzir o ácido láctico. Isso faz com que reduza a quantidade deste açúcar no iogurte.

Além disso, a enzima β-galactosidase das próprias bactérias também ajuda na digestão da lactose e o iogurte tem menor velocidade de esvaziamento gástrico em relação ao leite.

Prevenir problemas como obesidade, colesterol alto e hipertensão

As bifidobactérias influenciam de forma positiva o metabolismo lipídico. Vários estudos mostram que a utilização de probióticos promove uma redução significativa nos níveis de colesterol total pela diminuição do LDL (colesterol ruim), enquanto os níveis de HDL (colesterol bom) aumentam ligeiramente.

Isso ocorre pois essas bactérias diminuem a absorção e o transporte do colesterol alimentar para o fígado. Além disso, ocorrem outros mecanismos que reduzem as concentrações plasmáticas de triglicerídeos.

Fortalecer o sistema imunológico

Os lactobacilos e as bifidobactérias estão diretamente relacionados com o estímulo da resposta imune. Sendo assim, através do aumento da produção de anticorpos, ativação de macrófagos, proliferação de células T e produção de interferon, entre outros,o consumo de probióticos fortalece o sistema imunológico.

Entretanto, não se sabe ao certo como isso acontece.

Combater e prevenir doenças intestinais

Especialmente os probióticos de Saccharomyces boulardii e do Lactobacillus casei, essas bactérias parecem ajudar a melhorar e prevenir a doença de Crohn, colite ulcerosa e inflamação crônica da bolsa ileal.

Inclusive, existem resultados promissores com a utilização de probióticos na síndrome do intestino curto e na alergia alimentar, provavelmente pela diminuição da permeabilidade intestinal e pelas suas propriedades anti inflamatórias.

Combater outras doenças

Apesar de não ter nada ainda muito definido, os probióticos estão sendo utilizados para combater outras doenças que não são de origem intestinal. São exemplos, a fibrose cística, as infecções urogenitais e as vaginites.

Acredita-se que isso ocorre por conta da sua ação imunoestimulante (lembra que ele fortalece o sistema imune?) e, ainda, por causa da inibição da atividade enzimática bacteriana e recolonização do trato vaginal.

Impedir a proliferação de bactérias ruins no intestino

As bactérias probióticas impedem a proliferação de bactérias ruins por diferentes mecanismos:

  • Ocupam os sítios de ligações (receptores ou pontos de ligação) na mucosa intestinal, formando um tipo de barreira física às bactérias patogênicas. Assim, as bactérias patogênicas não conseguem se ligar a esses receptores e consequentemente são excluídas pela competição.
  • Promovem a escassez de nutrientes disponíveis na luz intestinal que possam ser metabolizados pelas bactérias patogênicas.
  • Produzem e liberam compostos como as bacteriocinas, ácidos orgânicos e peróxidos de hidrogênio que têm ação bacteriostática ou bactericida, especialmente em relação às bactérias patogênicas.

Ajudar a melhorar o humor

O intestino e o cérebro estão intimamente ligados (veja aqui neste post). Sendo assim, estudos têm demonstrado uma relação entre o uso de probióticos e efeitos positivos no sistema nervoso.

Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba, dois neurotransmissores que são responsáveis pelo controle da ansiedade e sensação de felicidade.

Mas, ainda é necessário mais pesquisas para ver a ação probiótica frente ao Alzheimer, Parkinson, depressão e desordens que afetam outras áreas do organismo. 

Melhorar a digestão e combater a azia, diarreia e prisão de ventre

Os probióticos estimulam o bom funcionamento do intestino, pois promovem o equilíbrio da flora intestinal. Como resultado, melhora a digestão e o trânsito intestinal.

Aumentar a absorção de nutrientes

Com o melhor funcionamento intestinal, os probióticos promovem o aumento da absorção de nutrientes como vitamina B, cálcio e ferro.

Prevenir alergias e intolerâncias alimentares

O uso de probióticos para prevenir alergias alimentares tem sido cada vez mais explorado pelos médicos. Acredita-se que induzem a tolerância oral e inibem o desenvolvimento da alergia através da supressão dos mecanismos envolvidos nesse processo.

Ainda, esse efeito não se restringe a apenas a mucosa intestinal, mas beneficia o organismo como um todo.

Ajudar no tratamento do autismo

Uma variedade de sintomas associados com o trato gastrointestinal, são encontrados em indivíduos com autismo. Desse modo, evidências clínicas também apoiam a ideia de que os probióticos interferem no sistema nervoso central e no comportamento destas pessoas, restringindo resposta ao estresse e ansiedade.

Do ponto de vista da endocrinologia microbiana, o microbioma envolve vias específicas que afetam o comportamento, permitindo assim uma nova abordagem para o tratamento de doenças mentais, através da modulação do eixo microbioma intestino-cérebro.

Por esse motivo, os probióticos podem ser úteis para restaurar o equilíbrio microbiano, aliviando problemas gastrointestinais e minimizando anormalidades imunológicas em autistas.

Como tomar?

Existem duas formas principais de ingerir probióticos:

1. Alimentos probióticos

O recomendado é consumir pelo menos 1 alimento fonte de probióticos por dia, especialmente durante e após o uso de antibióticos, que acabam destruindo a flora intestinal. Alguns alimentos são ricos em probióticos naturais, como por exemplo:

  • Iogurte natural: são a principal e mais fácil fonte de probióticos no mercado, mas também existem versões de iogurtes com sabor que mantém as bactérias benéficas vivas;
  • Kefir: é um produto fermentado com levedura e bactérias que fica semelhante ao iogurte, mas possui um teor mais elevado de probióticos;
  • Leite fermentado: são produtos especiais que geralmente contêm Lactobacillus adicionados pela indústria, sendo o Yakult o mais famoso;
  • Kombucha: uma bebida fermentada feita principalmente a partir do chá preto;
  • ​Produtos orientais à base de soja, legumes e verduras, como Miso, Natto, Kimchi e Tempeh, que podem ser comprados em lojas especializadas;
  • Chucrute: é feito a partir da fermentação das folhas frescas do repolho ou da couve;
  • Picles: para fazer esse alimento, os pepinos são colocados em água e sal, deixando fermentar por um tempo;
  • Levedura natural: é um cultivo composto por leveduras e bactérias que são naturalmente encontradas no ambiente, e que pode ser utilizado na preparação de diversos produtos, como pães, tortas e bolos.
  • Alguns queijos: podem conter cultivos vivos de microrganismos com propriedades probióticas, sendo importante ler a etiqueta nutricional para confirmar a presença das bactérias.

2. Suplementos de Probióticos

Existem diversas cápsulas, líquidos ou sachês que contém diferentes tipos de probióticos e podem ser facilmente encontrados, como por exemplo PB8, Simfort, Simcaps, Kefir Real e Floratil.

Para saber como escolher o melhor suplemento, saiba que quanto maior a diversidade e a quantidade de bactérias, melhor ele será. O recomendado é que ele possua entre 2 a 10 bilhões de bactérias ativas e indique a quantidade por dose e qual a bactéria.

Os microrganismos mais comuns são:

  • Bifidobacteria animalis: ajuda a fortalecer o sistema imune, além de ajudar na digestão e no combate a bactérias transmitidas por comida contaminada;
  • Bifidobacteria bifidum: estão presentes no intestino delgado e grosso, ajudando na digestão dos lacticínios;
  • Bifidobacteria breve: estão presentes no intestino e no trato vaginal e ajudam a combater infecções por bactérias e fungos;
  • Bifidobacteria longum: é um dos tipos de probióticos mais comuns no intestino e ajuda a eliminar toxinas do organismo;
  • Lactobacillus acidophilus: é talvez o tipo mais importante que ajuda na absorção de vários nutrientes, além de combater infecções e facilitar a digestão. Os L. acidophilus também estão presentes na vagina, ajudando a combater infecções;
  • Lactobacillus reuteri: estão presentes especialmente na boca, estômago e intestino delgado, sendo importantes contra a infecção por H. pylori;
  • Lactobacillus rhamnosus: estão presentes no intestino e podem ajudar a combater rapidamente casos de diarreia, especialmente quando se viaja para outros países. Também pode ajudar a tratar a acne, eczema e a infecção por Candida sp.;
  • Lactobacillus fermentum: ajudam a neutralizar produtos e toxinas liberadas durante a digestão, melhorando o ambiente para o crescimento da flora intestinal;
  • Saccharomyces boulardii: ajuda a tratar a diarreia causada por antibióticos ou a diarreia do viajante.

O ideal é utilizar o suplemento durante 4 semanas antes ou logo após as refeições (ajuda a sobrevivência das bactérias) e, caso continue com problemas, é recomendado trocar de suplemento.

No entanto, os probióticos não fazem milagres. É importante ter uma alimentação equilibrada e saudável, rica em fibras, durante o tratamento. 

 

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